Instituto impulsiona a Arqueologia

Nova Olinda. A valorização da pré-história do Cariri ganhará um novo capítulo com o fortalecimento da Arqueologia, por meio do Instituto de Paleontologia do Cariri, que terá solenidade de criação na comemorações dos 23 anos da Fundação Casa Grande, no dia 19 de dezembro. No local já funcionam o Memorial do Homem Kariri e um laboratório de Arqueologia, onde há uma reserva técnica na área.

O projeto faz parte de uma parceria entre a Fundação e a Universidade Regional do Cariri (Urca), por meio da Pró-Reitoria de Extensão. Com isso, a Arqueologia entra para um processo de sistematização acadêmica mais amplo, nos segmentos de ensino, pesquisa e extensão, e a contar, no Estado do Ceará, com o primeiro órgão, no âmbito do Ensino Superior, voltado para esse segmento de estudo.

A entidade, desde que iniciou o seu trabalho de educação social na área da Comunicação, para crianças e adolescentes na região, além de desenvolver uma Arqueologia com cunho social, tem realizado atividades de Educação para Conservação e Preservação dos sítios arqueológicos da região.

Comemoração

Doutora em Arqueologia pela Universidade de Coimbra, em Portugal, Rosiane Limaverde, diretora da entidade, comemora a conquista da Casa Grande e da Urca e afirma que esse é um grande passo, numa região que possui um rico acervo arqueológico, proporcionando a abertura para novas pesquisas no âmbito do universo acadêmico.

Segundo suas informações, com a criação do Instituto, já nasce a parceria com outras universidades importantes, como a Universidade de Coimbra e Universidade Federal do Piauí (UFPI), com a proposta de iniciar um curso de especialização ou mestrado em Arqueologia. O sonho, segundo ela, é que o Cariri venha a ter um curso na área. E material, conforme a pesquisadora, é o que não falta para desenvolver importantes pesquisas e descobertas sobre os primeiros habitantes da região, além de ampliar os trabalhos no campo da Arqueologia Histórica.

"O Instituto de Arqueologia do Cariri vem atender a uma demanda antiga da região e consolida um pleito específico nas áreas de pesquisa e extensão", afirma o reitor da Urca, Patrício Melo. A Casa Grande já está inserida no território do Geopark Araripe, e, com isso, conforme ele, amplia a atuação da Universidade no Município.

Para Rosiane, o Instituto vem fortalecer a extensão, por meio da parceria, trazendo a comunidade para a academia, assim como acontece com o Museu de Paleontologia, em Santana do Cariri. No primeiro semestre deste ano, a pesquisadora defendeu sua tese de doutoramento, na Universidade de Coimbra, onde explorou a temática da "Arqueologia Social Inclusiva", em que apresentou trabalho resultante de um apanhado de estudos de mais de duas décadas. A chegada do homem no Cariri, há mais de 3 mil anos, é defendida pela estudiosa, que afirma já ter identificado mais de 100 sítios arqueológicos na região.

"Isso mostra que temos um acervo relevante e que precisa ser trabalhado, para sabermos detalhes da cultura dos homens pré-históricos e o patrimônio da Arqueologia Histórica, como o próprio Caldeirão da Santa Cruz do Deserto", afirma.

Projetos

O presidente da Fundação, Alemberg Quindins, enfatiza todo um processo de crescimento e amadurecimento da entidade. A Casa Grande, ao longo dos anos, tem desenvolvido projetos para crianças e jovens da Instituição, além das suas famílias, a exemplo das pousadas familiares, fortalecendo o turismo comunitário na região. Ele destaca meninos que chegaram ao local, e hoje se encontram na universidade. "Então, a Fundação chega junto da maioridade dos meninos", afirma.

A entidade atua internacionalmente com diversas parcerias, incluindo países que falam a Língua Portuguesa, na Europa e na África, e já desenvolveu ações junto ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), além de apoios importantes com entidades nacionais, a exemplo do Serviço Social do Comércio (Sesc), fundamental nos últimos anos para a Fundação. São várias premiações em nível nacional e no exterior e um reconhecimento que poucas entidades no Brasil têm obtido, inclusive pelo Ministério da Cultura (MEC). Inspirou a criação do projeto das casas de patrimônio, adotado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A Fundação Casa Grande e a Gestão do Patrimônio Cultural da Chapada do Araripe, amplia o contexto de atuação da entidade, com uma abordagem diferenciada, como forma de inclusão social e participação das comunidades, além de ter as crianças como protagonistas do processo, e suas famílias, o que Rosiane chegou a denominar de Arqueologia da Afetividade. A pesquisadora destaca que a pauta da Arqueologia no Cariri foi iniciada pela Fundação Casa Grande: "Até então, o que estava relacionado aos índios era coisa de gente inculta e sem instrução. Era assim que a historiografia do Cariri tratava o assunto". 

Fonte: Diário do Nordeste
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