Baixinho dos Discos abre sua loja e mostra acervo de vinis que reuniu durante três décadas



Uma viagem ao passado na loja do Baixinho dos Discos, em Juazeiro do Norte (Foto: Felipe Azevedo/Agência Miséria)

A paixão de um homem pela música fez resistir ao tempo e ao avanço tecnológico o comércio do que muita gente pensou ter chegado ao fim no começo dos anos 90. José Porfírio Queiroz atende como o Baixinho dos Discos. Em um pequeno ponto comercial no Centro de Juazeiro, quase não é possível vê-lo atrás de um balcão lotado de vinis e CD´s. Para falar com ele é preciso esticar o pescoço e olhar por cima da pilha de antiguidades. 

Baixinho vende disco de vinil há três décadas, simplesmente porque gosta. Ele lembra que quando a indústria fonográfica empurrou no mercado milhões de CD´s, foi o único entre os amigos que continuou comprando vinil para revender. Ele fazia parte de uma turma de vendedores de bolachões que todos os sábados fazia das calçadas da rua São Pedro, no Centro, uma feira ao ar livre. 

Quando todo mundo desistiu do comércio, ele comprou tudo que viu pela frente e abriu uma pequena loja na rua São Domingos. Aos 62 anos, trabalho de Zé se mistura com o que ele define como o maior prazer se sua vida, ouvir música. Quando pequeno, ainda na roça, ouvia no rádio os sucessos da Jovem Guarda. Foi quando conheceu o trabalho de Roberto Carlos, de quem garante que não é fã, "sou fã das músicas dele", explica.

Grandes clássicos da música brasileira disponíveis por até R$ 20,00 na loja de Zé Baixinho (Foto: Felipe Azevedo/Agência Miséria)


São cerca de 5 mil discos em estoque. Ele diz que é difícil contar porque todo dia compra e vende muita coisa. Zé Baixinho comemora a fase nostálgica de seus clientes, diz que hoje em dia ninguém liga mais para os CD´s e que "o negócio agora é comprar vinil". Bom pra ele, que nunca deixou o ramo, mesmo quando os discos se tornaram antiguidades esquecidas na prateleiras e as vitrolas perderam a função para os aparelhos de som modernos.

Lá tem de tudo, desde a cantora Diana, até discos raros da banda britânica Dire Straits. Entre as peças raras no acervo, Zé conta que o disco mais caro que já vendeu foi o Catch A Fire, lançado em 1973 pelo ícone do reggae Bob Marley. Negociou a peça por R$ 150,00 com um fã do músico que há cinco anos procurava por um exemplar do álbum.

Há três décadas vendendo discos, Zé Baixinho acumula obras como vinis antigos de John Lennon e Djavan (Foto: Felipe Azevedo/Agência Miséria)


Quem passa pela calçada da loja do Baixinho dos Discos pode se deparar com estilos musicais que normalmente não se vê tocando no mesmo lugar. No toca discos de José Porfírio roda muito Luiz Gonzaga, Roberto Carlos e Amado Batista, mas ele assume que gosta mesmo de "muito barulho". De uma estante que fica bem do lado do balcão, mostra as obras do Kiss, Guns N´ Roses e Pink Floyd; "quando mais barulho, melhor".

Se por acaso o leitor também se enquadra no estilo saudosista e gosta de relembrar o passado com um bom chiado da agulha no vinil, a visita à loja do Zé Baixinho é indispensável. Clássicos do Djavan, Alceu Valença, Legião Urbana e Raul Seixas são vendidos por 10, 15, 20 reais. Além de um bom preço, o homem baixinho atrás do balcão ainda garante uma boa conversa sobre música e se faz da visita do cliente uma boa viagem ao passado. 

Baixinho dos Discos
Rua São Domingos, em frente à Biblioteca Municipal - Centro de Juazeiro do Norte.



Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Miséria.com.br

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