Peça dirigida por Marília Pêra com Danielle Winits chega a Londrina


(Foto: Reprodução/G1)
Em 16/03/2017 às 09:20

Danielle Winits e André Gonçalves, marido e mulher na vida real, encarnam em cena a diva do cinema americano Marilyn Monroe e sua assistente e amiga Margot, na peça Depois do amor – um encontro com Marilyn Monroe, que será apresentada em Londrina no próximo sábado (18), a partir das 21h, no Teatro Mãe de Deus (Av. Rio de Janeiro, 670), com ingressos a R$ 70 (inteira), R$ 35 (meia entrada) e R$ 49 (cartão Disk Ingressos) e que podem ser comprados no Pátio San Miguel (Av. Higienópolis, 762. Fone: 3322-8726), Óticas Diniz (R. Professor João Candido, 100; R. Souza Naves, 158 C; Av. São Paulo, 187 A; Av. Bandeirantes, 666; R. Sergipe, 428; Av. Saul Elkind, 1760) e na loja Mundo Verde (Shopping Boulevard. Fone: 3327-8676).

Um detalhe curioso: a direção da peça é assinada por Marília Pêra, que acompanhou já doente os ensaios alguns meses antes de morrer. Sua morte ocorreu no mesmo dia da estreia do espetáculo, em 5 de dezembro de 2015. Na longa e apaixonante entrevista que você pode ler a seguir, a atriz Danielle Winits conta um pouco de como foi esse processo de produção e da emoção de ser dirigida por Marília Pêra.

Fábio Luporini – Como foi o processo de iniciar a preparação desta peça?

Danielle Winits – Em setembro de 2015, Fernando Duarte, autor e produtor do espetáculo, me ligou dizendo que tinha escrito um texto pensando em mim. Tratava-se de uma homenagem aos 90 anos de Marilyn Monroe e, para completar, a direção seria da mestra Marília Pêra. Fiquei encantada. Aceitei na hora. Sempre fui apaixonada por Marilyn e era um sonho antigo ser dirigida por Marília. A peça fala sobre o universo feminino através de um olhar masculino. O que mais me interessou no projeto, a ponto de me tornar produtora associada, foi justamente por ele trazer à tona a Marilyn mulher comum, humanizada, forte. Porém, expondo suas vulnerabilidades como qualquer ser humano. Depois do amor, fala das emoções de duas mulheres. O mais tocante é a fragilidade das duas personagens. Mesmo sendo tão distintas, são mulheres que no fundo buscam amar e serem amadas, pois suas bagagens e experiências foram sempre traumáticas. Me toca fundo essa busca incessante pela felicidade. Eu espero que todos se sintam tocados com esse espetáculo tão forte e tão delicado ao mesmo tempo. E conhecer Marilyn na intimidade nos faz entender que no fundo todos somos iguais, queremos amar e ser amados, queremos ter a chance de encontrar a felicidade pelo caminho.

Quanto tempo vocês trabalharam com Marília Pêra antes dela morrer?

Foram três meses ensaiando na sala da casa dela, todas as tardes, das 15h às 19h. Ela esteve firme conosco até o fim. Ela faz muita falta. Fechou-se um ciclo com a partida da Marília. Era uma operária da arte. Teatro era mesmo o seu território sagrado. Sabíamos da gravidade da doença. Estávamos todos os dias com ela, mas a notícia foi um choque para todos da equipe e para o cenário artístico nacional. A peça é uma homenagem a Marilyn e à mestra Marília também.

Qual o enredo e como vocês contam essa história?

Na peça mostramos o lado mais humano, a mulher comum. Marilyn poderia ser um mero show de sex appeal, mas a peça vai por outro caminho. De sensual, só os momentos em que eu troco de roupa em cena, à meia luz, com um topless que ninguém vê mais do que minhas costas nuas. É uma interpretação muito emotiva, repleta de sutilezas. Ela foi uma mulher que sofreu muito. Teve relacionamentos muito complicados. Apesar de ser um símbolo, não era tão respeitada quanto gostaria que fosse como atriz. Foi uma mulher à frente do seu tempo. Em 1960 ela falava de temas que eram tabus pra época. A vida de Marilyn também mostra um pouco os perigos e riscos do estrelato excessivo e como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida.

Marilyn e Margot (personagem do André Gonçalves) são mulheres com personalidades diferentes, mas com muita coisa em comum. A peça fala sobre a alma feminina e traz, mais além da homenagem, um estudo de temas femininos urgentes. O que é, afinal, a mulher na nossa sociedade? Fernando [Duarte] esboça em cena dois perfis de mulher contemporâneos um tanto complementares, pois são formas femininas de servidão no mundo dos homens. No entanto, são, afinal, perfis antagônicos. Ambas, em 1962, época em que se passa a peça, estão tentando se firmar num mundo regido pelos homens. Este é o centro do debate.

Elas se conheceram em 1952 durante as filmagens de um filme. Margot era uma das assistentes que ajudava Marilyn no estúdio e ficaram amigas. A ponto de Margot acompanhar Marilyn às visitas que fazia à sua mãe no sanatório. Nessa época, Margot, namorava Joe DiMaggio, o famoso jogador de beisebol. Quando conheceu Marilyn, os dois se apaixonaram e se casaram. Marilyn nunca mais falou com Margot. Dez anos depois, a vida se encarregou de colocar as duas frente a frente. No reencontro, elas estão dez anos mais velhas. Passou-se uma década. Marilyn não era mais a mesma e Margot também já não era mais aquela menina assistente. Tinha se casado, construído uma família. É bonito ver como Margot, apesar de tudo, conseguiu seguir em frente. E, por ironia, Margot conseguiu tudo o que Marilyn mais sonhava na vida: casar, ter filhos e um marido.

Alguma curiosidade da montagem?

Eu estreei essa peça no dia 5 de dezembro de 2015, no palco do teatro Amazonas, em Manaus. Era o dia do meu aniversário. E foi o dia em que Marília faleceu também. Apesar da doença, ela esteve presente até o fim. Deixou tudo pronto.  No primeiro dia de ensaio ela me disse: 'Temos que desconstruir o mito. Nossa Marilyn está em casa. Vamos pensar na mulher por trás do mito. Desconstruir a sex symbol e mostrar a mulher comum'. Era uma mestra. Um gênio. Marília deu vida para o espetáculo. Mesmo enfrentando o câncer, não abandonou a direção da peça e fez questão de acompanhar tudo de perto. Mesmo com a saúde debilitada, ela fez questão de montar o espetáculo até o final. Acho que isso faz toda a diferença. Chegamos a quase três meses de trabalho juntos, todos maravilhosos. E, independente de ela estar doente, ela teve um desempenho inesquecível. Considero que ela fez uma passagem nesse trabalho que é tanto dela quanto nosso. Para mim, ela é imortal. Com certeza ela está nos acompanhando agora de um lugar bem bonito. A carta que ela deixou para ser lida pelo Fernando na estreia em Manaus foi uma das coisas mais emocionantes e tocantes que já ouvi. Uma prova do respeito dela pelo ofício e pelo público. Em 2017 voltamos com novidades, desde janeiro, estou dividindo o palco com o André que veio abrilhantar essa nossa linda história. A Margot do André é uma interpretação muito delicada, sutil. Ele usa um figurino muito discreto, a feminilidade da personagem está na interpretação dele. É bonito de ver.

G1

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