Saaec pretende reajustar conta de água em 106%


Presidente da Saaec alega que a empresa tem uma dívida de R$ 15 milhões com fornecedores (Foto: Serena Morais/Jornal do Cariri)

Depois de seis anos, os moradores de Crato devem ter uma reajuste de 107, 6% da tarifa de água. Nos próximos dias, a Câmara Municipal apreciará o projeto da Prefeitura para adequar os valores. A informação tem sido rejeitada pela maioria da população, mas funcionários do Serviço Anônimo de Água e Esgoto de Crato (Saaec) insinuam que o não reajustamento pode levar a empresa à falência. Yarley Brito, presidente da Saaec, confirma uma dívida estimada em mais de R$ 15 milhões, junto a credores como INSS, Coelce, Cogerh, etc. Somado a isso, a elevação da energia em 116%, aumento salarial em 51% dos funcionários e insumos químicos para o tratamento de água em 96% e a defasagem do valor da tarifa, que por 10 metros cúbicos cobra apenas 0,85 centavos. Além disso, Brito informa que, mensalmente, a empresa registra uma diferença entre o que é faturado e recebido, em média, 30% de inadimplência.

"Tem usuários do Serviço que têm contas em atraso de 11 meses e, mesmo recebendo a cobrança, não teve seu fornecimento de água suspenso. Outra questão é a cultura da água em abundância que os cratenses têm. Para eles, o recurso é infinito, mas não é. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 120 litros por dia, sendo o suficiente para todas as necessidades básicas, aqui são usados 300 litros por pessoa/dia", observa o presidente.

Em comparação aos demais municípios, Crato paga a água mais barata do Ceará, mesmo sendo a sétima economia do estado, pontua Brito. Conforme a nova tabela, o reajuste é a soma do Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) de 47,89% e a Taxa de Crescimento de 59,71%, que resultam em 107,6%, a serem cobrados a partir de 2017. Além de dirimir a dívida da empresa com os credores, o reajustamento deve ser direcionado aos investimentos em rede e poços, para prestação do serviço com qualidade.

A empresa apresenta dificuldade até para instalar os hidrômetros, instrumento ideal para mensurar o consumo da população. Para Amadeu de Freitas, autor do requerimento que resultou na audiência pública entre a empresa, população e alguns edis, o reajuste é necessário. "Não há pretensão de me contrapor ao reajuste, porque ele é necessário e permitido por lei. O que se pretendeu com a reunião foi esclarecer o valor do reajuste e tentar negociar uma forma de pagamento razoável, já que ao longo de seis anos não houve reajuste".

O morador da Vila Alta, Moésio Lemos, mostrou-se contrário ao reajuste, principalmente pela má qualidade da água que é servida em seu bairro. "Uma água com pó. Esse é o tipo de água que sai das torneiras na minha casa. Como é que uma empresa dessas vem querer aumentar o valor de um serviço mal prestado desses? Se há rombo milionário, é porque foram anos de desvios e de má gestão", completou o morador.

Fonte: Jornal do Cariri


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