Pesquisa revela perfil de caminhoneiros do Cariri


Profissionais rodam cerca de 10 mil quilômetros por mês e trabalham mais de 11 horas por dia (Foto: Serena Morais/Jornal do Cariri)

A saúde dos motoristas das categorias C, D e E, que trafegam nas rodovias federais brasileiras, precisa de acompanhamento especializado. A constatação está em relatórios anuais divulgados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). A média de idade desses profissionais é de 44 anos, boa parte deles acima do peso, estando na atividade há cerca 18 anos e com renda mensal entre R$ 3.900,00 e R$ 4.100,00. De acordo com os dados, geralmente, caminhoneiros e motoristas de carros pesados guiam uma frota envelhecida com quase 14 anos de uso, rodam 10 mil quilômetros por mês e trabalham mais de 11 horas por dia.

A pesquisa indicou, ainda, que 34,7% não estão satisfeitos, são conscientes dos riscos e não cumprem o tempo de descanso. Mais de 44% desses motoristas procuram as unidades de saúde para prevenir doenças e 24% utilizam já utilizaram medicamento controlado. Mais de 57% deles são hipertensos e quase 60% confessaram que são consumidores de bebida alcoólica, sendo que 21% já experimentaram algum tipo de drogas ou substâncias ilícitas.

O perfil preocupa a CNT, que vem reforçando as campanhas de combate ao uso de drogas, direção segura, redução de acidentes e treinamento profissional. As ações preventivas são realizadas duas vezes por ano, por equipes do Sest/Senat e Polícia Rodoviária Federal, em parceria com os órgãos de saúde. Na região do Cariri e nos demais municípios atendidos pela unidade do Sest/Senat de Crato, o trabalho é feito na BR-116, onde, entre 2013 e 2016, mais de 450 motoristas foram abordados para procedimentos básicos de saúde. A coordenadora de Promoção Social, Tatiana Bessa, está à frente do projeto que faz esse tipo de fiscalização no Cariri, denominado de "Comando de Saúde nas Rodovias".

Conforme a coordenadora, todo o trabalho é feito por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos e fisioterapeutas. Na abordagem, são feitos os procedimentos básicos de saúde, ou seja, teste de glicemia, exame bucal, aplicação de flúor, ensinamento sobre escovação correta, aplicação de vacina contra hepatite B e tétano, medição do Índice de Massa Corporal (IMC), verificação das circunferências abdominal e cervical, medição da frequência cardíaca e saturação de oxigênio.

Depois dos testes, o motorista é submetido a uma avaliação médica que, dependendo do quadro clínico verificado, poderá permitir que o profissional siga viagem, ou não. Neste caso, o motorista é encaminhado à unidade de saúde mais próxima. A última edição do Comando de Saúde nas Rodovias ocorreu no mês de novembro passado e recebeu o apoio logístico e os serviços da Secretaria de Saúde de Milagres. Na ocasião, foram abordados 114 motoristas.

Conforme a coordenadora, nas abordagens, os motoristas relatam que exercem uma profissão desgastante, e que são conscientes dos riscos aos quais se submetem devido à insegurança nas BRs. Os profissionais reclamam, ainda, da falta de apoio nas rodovias, como manda a legislação, e do comprometimento do convívio familiar. Porém, surpreendentemente, eles confessam que esses obstáculos são rompidos por ser uma profissão atraente, desafiadora e aventureira.

Fonte: Jornal do Cariri


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