Ana Carolina expõe intimidade em livro de estreia


Cantora lança "Ruído Branco" pela editora Planeta (Foto: Divulgação)


A Ana Carolina de 12 anos falava que "alface costuma ter minhoca na cabeça" e se perguntava se "existem almas penadas na mesma quantidade dos sepulcros". A Ana de 42 admite que o homem que há em si se apaixonou perdidamente pela mulher que ela se tornou.
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Os 30 anos que separam uma da outra foram reduzidos a poucas páginas. Tanto os poemas infantis quanto os maduros estão reunidos no livro "Ruído Branco", que acaba de ser lançado no Rio e em São Paulo e chega às livrarias de todo o país em janeiro.

Quando topou fazer a coletânea, Ana Carolina mirava duas coisas: aventurar-se num processo de autoconhecimento por meio da escrita e se distanciar da imagem de cantora popular, aquela que gravou "Garganta" (em 1999).

Dividida em quatro partes -poesia, prosa, poesia musicada e "caderninho", rascunhos remanescentes da infância em Juiz de Fora, Minas Gerais-, a obra autobiográfica expõe conflitos psicológicos que a artista carrega desde os tempos de menina.

Em tom freudiano, o poema "Sonho" a leva ao encontro do pai, que morreu quando ela tinha apenas dois meses. "Acabei querendo me tornar a figura masculina que me faltava. Se assim fizesse, não me faltaria mais", diz.

Fruto de um relacionamento extraconjugal, aprendeu ainda criança que falar de seu progenitor era coisa proibida. As angústias resultantes dessa época Ana trata no divã há 20 anos, onde tenta "equilibrar os lados masculino e feminino" de que é feita.

Volta e meia o tema se relaciona à sua bissexualidade, explorada em "Meias-irmãs", narrativa de uma transa com outras duas mulheres. "Eu gosto mesmo dos gemidos das meninas, poderia colocar em um pendrive e levar comigo para sempre."

O tempo, o receio da morte e a dúvida sobre a maternidade são também constantes nos 52 textos, que começaram a ser escritos ou revisados a partir de agosto deste ano.

A cantora tem óvulos congelados e se prepara para fazer uma nova coleta em janeiro, embora não consiga imaginá-los fecundados. Falar do assunto altera sua entonação e a faz gesticular de maneira nervosa. "Tenho que escrever a respeito para ver se me entendo", brinca.

Ana, que também pinta -seus quadros ganharam exposição em São Paulo no ano passado-, fala da despreocupação com a rigorosidade estética e afirma não se importar com a crítica. "Como forma de expressão foi agradável para mim. Agora, se vão gostar ou não..."

Assim como já fez com suas telas, ela prepara um show para "Ruído Branco". Maria Bethânia gravou a leitura de "Rotatória", mas ainda não está definido se o poema entrará na apresentação.

Enquanto isso, Ana Carolina pensa no próximo livro. Da próxima vez, escondida sob um pseudônimo.

 

uol


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