Sarney recebeu R$ 16,25 milhões em dinheiro vivo, diz Sérgio Machado

 ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou aos investigadores da Operação Lava Jato que o ex-presidente da República e ex-senador José Sarney (PMDB) recebeu R$ 16,25 milhões em propina, pagos em dinheiro vivo, entre 2006 e 2014. Outros R$ 2,25 milhões em recursos obtidos de forma ilegal teriam sido pagos por meio de doações legais, totalizando R$ 18,5 milhões.

O dinheiro era proveniente, conforme Machado, de contratos da subsidiária da Petrobras com diversas empresas. O acordo de delação premiada, que pode reduzir eventuais penas do ex-presidente da Transpetro em caso de condenação, foi homologado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

A íntegra dos depoimentos, que soma 400 páginas, foi tornada pública no inicio da tarde desta quarta-feira (15). Segundo Machado, além de José Sarney, outros 19 políticos de seis partidos receberam propina de contratos da subsidiária da Petrobras com construtoras. O PMDB, responsável pela indicação de Machado, teria arrecadado, no total, R$ 100 milhões, informou o delator.

O ex-presidente da Transpetro relatou aos investigadores que foi procurado por José Sarney, em 2006. No encontro, Sarney teria relatado "dificuldades em manter sua base política no Amapá e Maranhão, e pediu ajuda". O primeiro repasse, conforme Machado, foi de R$ 500 mil em espécie. A partir de 2008, os pagamentos passaram a ser anuais.

Do total de R$ 18,5 milhões, R$ 2,25 milhões foram pagos por meio de doação oficial pelas empresas Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. O restante, R$ 16,25 milhões, foi entregue em dinheiro vivo ao longo de oito anos, segundo Machado.

Responsável pela defesa de José Sarney, o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que ele nega "peremptoriamente" ter recebido qualquer valor, "a qualquer titulo", de Sérgio Machado.

A Queiroz Galvão informou que não comenta investigações em andamento e que as doações eleitorais obedecem à legislação. A Camargo Corrêa disse com a justiça por meio de um acordo de leniência.

A Transpetro informou que analisa o conteúdo das delações de Sérgio Machado e de seus filhos, que é "vítima da prática de delitos" e que, como tal, será beneficiada pela multa a ser paga pelo delator. A empresa ressalta ainda que "atua em conjunto com a Petrobras e colabora com os Órgãos Externos de Controle, Ministério Público e Poder Judiciário".

Sistemática

De acordo com o ex-presidente da Transpetro, a sistemática da entrega do dinheiro a Sarney e outros políticos funcionava da seguinte forma:

- Machado recebia diretamente do dono da empresa que faria o pagamento o codinome do intermediário, endereço, data e local da entrega do dinheiro;

- O ex-presidente da Transpetro passava ao executivo um codinome inventado na hora do intermediário do político que receberia o dinheiro;

-Por fim, Machado entregava um papel com esses dados ao político beneficiário da propina, que se encarregava de enviar um intermediário para buscar o dinheiro.

Conforme o ex-presidente da Transpetro, entre membros do PMDB, também teriam recebido propina de contratos da subsidiária da Petrobras, o ministro do Turismo, Henrique Alves, os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO), Jader Barbalho (PMDB-PA), Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA), e Garibaldi Alves (PMDB-RN), o deputado Walter Alves (PMDB-RN), e o presidente do  Senado, Renan Calheiros (AL).

Fonte: G1
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