Temor de que outras doenças se espalhem não tem fundamento

O temor da epidemia de zika tem suscitado o medo que o mosquito Aedes aegypti possa transmitir um número ainda maior de doenças graves do que o conhecido. Ele é uma máquina de disseminação de dengue, zika e chikungunha. Já foi um terror com a febre amarela urbana. Mas não é capaz de infectar seres humanos com micro-organismos causadores de outras doenças muito temidas, como a Aids, o sarampo, a gripe e a malária.

O Aedes transmite arbovírus. Uma família de micro-organismos disseminada por artrópodes, grupo de animais invertebrados que inclui os mosquitos. Existem cerca de 530 arbovírus conhecidos e pelo menos 150 deles causam doenças em seres humanos, de febres hemorrágicas letais a erupções cutâneas sem importância. A maioria dessas doenças é extremamente rara e mal conhecida. Esses vírus desenvolveram adaptações para se multiplicar no inseto e sobreviver em sua saliva.

Muitos desses arbovírus causam um ou dois casos antes de desaparecerem por anos, sem deixar rastros. Outros, como o zika, podem permanecer décadas silenciosos na floresta até explodir pelo mundo. O vírus zika foi descoberto em 1947, na África, começou a se espalhar pelo planeta em 2013 e só se tornou uma ameaça temida e associada à microcefalia este ano, no Brasil. Aqui pode ter chegado em 2014, com a Copa do Mundo ou a Jornada Mundial da Juventude, segundo o professor de virologia da UFRJ Davis Ferreira, do Instituto de Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem.

As doenças provocadas por arbovírus se originam em ambientes silvestres e são levadas às cidades por mosquitos adaptados à vida urbana, o Aedes em especial. Algumas dessas doenças, como as febres oropouche e mayaro podem ficar restritas às matas. O mayaro, por exemplo, infecta as células mais depressa do que os vírus da dengue e da gripe e já atacou cerca de mil pessoas desde que foi identificado nos anos 50. Ele é transmitido na floresta por mosquitos do gênero Haemagogus. Mas em laboratório, na UFRJ, se descobriu que pode ser carregado pelo Aedes. Outras infecções, sem que se saiba o motivo, sofrem alterações que as tornam mais agressivas ou capazes de se disseminar com facilidade. É o caso da dengue e do zika.

HIV É DESTRUÍDO POR ENZIMAS

Para que um vírus possa ser transmitido de um mosquito para uma pessoa, precisa estar nas glândulas salivares do inseto. Vírus como o zika e o da dengue conseguem se replicar nas células do mosquito, se espalham por seu organismo e chegam às glândulas salivares. Quando o mosquito pica uma pessoa, o vírus é inoculado.

O HIV, por exemplo, é destruído pelas enzimas digestivas do mosquito. Assim, não consegue se replicar e chegar à saliva. Outro fator é que o HIV sobrevive pouco tempo fora do organismo do hospedeiro. Por isso, o Aedes não transmite Aids. Há ainda outro motivo, a carga viral de HIV que o Aedes absorveria ao picar alguém com Aids não é suficiente para que uma pessoa adquira a doença dessa forma. Seria preciso que uma pessoa fosse picada por milhares de mosquitos.

Existe uma suspeita, nunca comprovada, de que o Aedes possa transmitir malária, doença causada por um plasmódio e que é disseminada pelos mosquitos anófeles.

Fonte: EXTRA

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