SUS indica hospital para acompanhar bebês com microcefalia no CE

Os casos suspeitos de microcefalia relacionada ao zika vírus têm aumentado e gerado o alerta quanto à necessidade de prevenção. No Ceará, com 40 notificações e uma confirmação, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), o Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS), na Capital, passa a ser a unidade referência do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado para acompanhamento dos casos. A unidade já avalia pacientes desde a semana passada. Hoje, o Ministério da Saúde divulga novo boletim sobre o número de notificações da anomalia.

Uma equipe de especialistas, formada por uma pediatra, um neurologista e uma geneticista está responsável por verificar os recém-nascidos classificados como dentro do perfil e seguir com o acompanhamento necessário, conforme cada caso. O processo de encaminhamento para a unidade deve ocorrer logo após o nascimento da criança. Ao identificar o perímetro encefálico inferior a 32 cm - o critério de medição foi alterado pelo Ministério da Saúde de 33 cm para 32 cm - o neonatologista deve entrar em contato com a Sesa.

Sistema

"Os médicos na sala de parto verificarão os bebes que estão dentro dos critérios e notificarão a Sesa pelo sistema. A criança vai ter alta, pois ela não tem motivo para ficar internada, e depois vem para cá. É preciso preencher uma ficha que será mandada para a vigilância epidemiológica e assim ela tem acesso ao nosso ambulatório. Esse atendimento é feito nos dias de quarta e sexta", explicou a geneticista do Hias Erlane Marques Ribeiro.

A partir daí, conforme a médica, os especialistas avaliarão o histórico da criança, realizarão um exame físico e, para os casos indicados, será solicitada uma tomografia de crânio que determinará tratar-se ou não de um quadro compatível com o zika vírus. "Essas crianças serão acompanhadas por dois anos com uma periodicidade, geralmente quatro vezes por ano ou de três em três meses. A gente não sabe o que vai acontecer com elas, mas o acompanhamento é que dá a segurança do médico de ter uma parceria com a mãe para, na hora que estiver acontecendo alguma coisa, você poder intervir", disse.

Reabilitação

Segundo esclarece o neurologista do Hias, André Luiz Santos Pessoa, o objetivo do acompanhamento aos pacientes com microcefalia é promover uma reabilitação, tratando das comorbidades, ou seja, quando há outros problemas relacionados, entre eles, a epilepsia.

"É uma infecção congênita nova e o quadro clínico é muito variável. A genSUS inidite sabe o padrão radiológico dessas crianças. Elas têm calcificações, têm lissencefalia (cérebro liso), quando a chance de epilepsia é muito alta, então particularmente essas crianças terão acompanhamento para controle de crises epiléticas. Como o padrão radiológico das infecções congênitas, sobretudo as mais precoces, parece gerar o dano estrutural mais grave, provavelmente essas crianças terão atraso no desenvolvimento importante, desenvolvimento tanto motor como cognitivo". Ainda de acordo com o médico, a ideia, ainda em fase de estudo, é implantar uma estrutura de reabilitação multiprofissional, com equipe formada por fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, além de apoio psicológico e assistência psicossocial. "Está sendo estudada, também, a realização dos exames pelo Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), que atualmente manda para o Instituto Evandro Chagas, em Belém", ressalta.

Os médicos reforçam que, em relação à ligação com o zika, os casos mais graves geralmente ocorrem nos primeiros meses de gestação, e que a única prevenção é combater o vetor, o mosquito Aedes aegypti. "É preciso manter o ambiente limpo, a gestante usar mangas longas, calças e repelentes indicados pela Anvisa. A gente orienta, ainda, que ela use preservativo durante a relação sexual na gravidez, pois se o homem tiver zika vai transmitir pelo esperma", diz a geneticista Erlane Marques Ribeiro.

Fique por dentro

Assistência visa reduzir impacto nas crianças

A microcefalia é definida quando a caixa craniana do feto não é desenvolvida adequadamente, não havendo cura e nem tratamento definitivo. A opção é buscar opções de assistência, como acompanhamento terapêutico, que podem reduzir os impactos causados pelo desenvolvimento psicomotor prejudicado.

Alguns causadores da microcefalia incluem outras infecções, como rubéola, neurotoxoplasmose e o citomegalovírus. A incidência também está relacionada ao consumo de drogas, como álcool e a cocaína, além da exposição à radiação.

Mais informações

Agendamentos:85-3256 1648

Fonte: Diário do Nordeste

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