Rio anuncia nova campanha, e São Paulo promete teste de zika para 2016

O governo do Rio anuncia hoje uma força-tarefa para combater o Aedes aegypti. A campanha “10 minutos salvam vidas”, que incentiva o cuidado diário para impedir a formação de larvas, especialmente dentro de casa e em ambientes de trabalho, que respondem por 80% dos criadouros. Só na primeira semana de dezembro, o número de denúncias de focos do mosquito na capital do Rio deu um salto: foram feitas 1.300 notificações pelo telefone 1746, da prefeitura. Normalmente, ocorrem 890 ao longo de um mês inteiro, de acordo com a Secretaria municipal de Saúde.

Em São Paulo, pouco mais de uma semana após a confirmação de que o surto de microcefalia está ligado ao vírus zika, a Secretaria estadual de Saúde anunciou, ontem, um pacote de medidas para combater o mosquito transmissor dos vírus zika, dengue e chikungunya. A principal promessa é a oferta, a partir de 2016, de um exame na rede pública que detecte vestígios do zika mesmo depois da fase aguda da doença, que dura no máximo cinco dias. Também está previsto o emprego de 500 agentes para vistoriar residências, e o Exército poderá ser acionado, se necessário.

Um dos grandes empecilhos para que se saiba o quão intensa é a circulação do vírus zika no país é o fato de ainda não existir um teste sorológico que mostre se a pessoa já teve a doença. Isso só é possível para a dengue e o chikungunya. Hoje, há apenas a possibilidade de diagnosticar o zika no momento em que o paciente está doente, o que não dura mais do que uma semana. Por isso é tão difícil saber se as gestantes cujos bebês têm microcefalia chegaram a contrair o vírus. Entretanto, segundo o secretário estadual de Saúde de São Paulo, David Uip, em poucos meses o Instituto Adolfo Lutz deverá ter esse teste sorológico pronto. O exame, chamado Elisa, já está sendo realizado, mas ainda há dificuldades para distinguir o zika da dengue, por exemplo.

— O Instituto Adolfo Lutz está aprimorando o teste Elisa para que ele seja capaz de identificar o zika com precisão — garantiu David Uip.

CICATRIZ IMUNOLÓGICA

O exame permitirá que o médico encontre a “cicatriz imunológica” produzida no paciente a partir do contato com o vírus. Isso porque, para se defender do intruso, o organismo cria anticorpos específicos. E são esses anticorpos que se busca identificar. Quando o teste passar a ser oferecido, a preferência será dada a grávidas, portadores dos sintomas da doença, doadores de sangue e pessoas que vão doar ou receber órgãos.

Segundo a Secretaria de São Paulo, foram registrados no estado dois casos autóctones de zika (contraídos dentro do território). Um em Sumaré, e o outro em São José do Rio Preto, ambas cidades do interior. E este ano, foram registradas no estado 42 ocorrências de microcefalia, mas nenhuma delas está relacionada ao vírus, segundo o secretário. Ele está certo, no entanto, de que este cenário mudará.

— Eu posso afirmar que nós vamos ter, sim, vírus zika em São Paulo, e que também teremos microcefalia causada pelo vírus — declarou ele.

Mesmo assim, quando perguntado sobre o que mulheres que moram no estado e planejam engravidar nos próximos meses devem fazer neste momento, Uip respondeu:

— Que continuem engravidando. Àquelas que me perguntarem se devem ir para a região epidêmica, digo que não devem ir.

No último fim de semana, a Secretaria municipal de Saúde de Guarulhos, na Grande São Paulo, notificou o nascimento de um bebê com microcefalia que pode estar relacionado ao vírus zika. Uip, no entanto, disse que ainda não é possível fazer essa afirmação.

— Nesse caso de Guarulhos, o médico fez o diagnóstico por meio de uma tomografia. É óbvio que ainda teremos que fazer exames para ver se darão negativo ou positivo — disse ele.

No total, o Estado de São Paulo destinará R$ 50 milhões a um fundo de combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Já em Pernambuco, estado com mais casos suspeitos de microcefalia ligados ao zika — 646, de um total de 1.248 no país —, o fundo de combate é de R$ 25 milhões. Por lá, 750 militares do Exército atuam, desde sexta-feira, em 19 cidades.

CORRIDA POR REPELENTES

Das três substâncias de repelentes consideradas eficazes contra o Aedes, icaridina, DEET e IR3535, a primeira, embora mais cara, tem sido a mais procurada por conta da proteção prolongada, de até dez horas. Segundo Paulo Guerra, diretor geral do laboratório Osler, que fabrica o repelente à base de icaridina, a produção aumentou 700% em relação ao mesmo período de 2014. Ele conta que, desde que o Ministério da Saúde confirmou, no último dia 28, que o zika provoca microcefalia, a procura pelo produto foi tamanha que o estoque que a empresa tinha para todo o verão se esgotou.

— Já havíamos programado uma demanda 40% maior do que em 2014, porque acreditávamos que teríamos um surto de dengue maior. Só não contávamos com o zika — diz Guerra.

A empresa, que importa a icaridina da Alemanha, teve que intensificar a fabricação. De acordo com o diretor, as importações do princípio ativo eram feitas duas vezes por mês, de navio. Há uma semana, isso passou a ser feito uma vez por semana, de avião. Com a icaridina líquida, fábricas terceirizadas em Sarapuí, no interior de São Paulo, produzem o repelente.

— Estamos fazendo entregas diariamente. Se um dia não tem na prateleira, terá no dia seguinte. Não vai faltar, não é preciso fazer estoque em casa — assegura.
Guerra afirma que não há limite para a capacidade de produção e que a demanda será avaliada diariamente. Segundo ele, são mais de 40 mil pontos de venda no país, e o preço sugerido para o consumidor final é de R$ 55 (cerca de 85% do valor é por causa do componente ativo).

Segundo a virologista Cláudia Nunes Duarte dos Santos, chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Carlos Chagas/Fiocruz do Paraná, ainda não se sabe se é possível se contaminar, simultaneamente, com zika e outros tipos de vírus. Ela teme, porém, que as Olimpíadas de 2016 possam fazer a doença chegar a mais países.

— Os Jogos Olímpicos não farão piorar o surto de zika no Brasil. Mas a pessoa picada aqui pode levar o vírus para outro lugar, então o zika poderá de espalhar para outros países após as Olimpíadas — diz ela.

Fonte: EXTRA

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