Lira Nordestina poderá ser declarada um bem nacional

Com a finalidade de promover a patrimonialização e auto sustentabilidade, para manutenção da memória e funcionamento da gráfica Lira Nordestina, está sendo articulado, junto ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o processo de encaminhamento de ações que resultem num convênio de cooperação técnica. Uma das discussões iniciais é que venha a ser declarada um bem nacional.

Uma reunião com antropólogos e técnicos do Iphan nacional e do Ceará foi realizada, na Universidade Regional do Cariri (Urca), no Crato, com essa finalidade. Os primeiros debates já apontam para uma maior atenção com esse equipamento.

A Assessoria de Cultura da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Urca destacou a preocupação de assegurar, não apenas a revitalização da Lira Nordestina, mas dar suporte necessário para os que fazem a gráfica continuar as suas funções de trabalho, e, ao mesmo tempo, manter o patrimônio.


Crise

Antiga gráfica São Francisco, com sede atualmente no Centro Multiuso, em Juazeiro do Norte, a Lira Nordestina por várias décadas tem enfrentado crises para continuar existindo.

Os funcionários da gráfica são, em sua grande parte, xilógrafos que vinham se mantendo por meio da atividade no local, priorizando mais a arte da xilogravura em detrimento do cordel por vários anos.

A assessora institucional de Cultura da Proex, que já esteve à frente da Lira, professora Anna Christina Carvalho, destacou o histórico, desde os momentos em que foi instalada em Juazeiro do Norte, nas primeiras décadas do século XX.

Nomes importantes da literatura de cordel passaram pelo local, além de xilogravadores, com material sendo distribuído em todo o Nordeste, principalmente com o seu auge, nas décadas de 40, 50 e 60. Ela disse que a ideia é, dentro da visibilidade que vem sendo dada para o cordel e os cantadores de viola, com o processo de registro no Iphan, se torna importante que o órgão veja onde a Lira poderá ser inserida, para que a sua história seja reconhecida e preservada.

Além disso, há um conjunto de equipamentos históricos, artesanais, inclusive alemães, do século XIX, mas uma grande dificuldade para que continuem em funcionamento, pela sua rusticidade e peças difíceis de serem adquiridas.

Aposta

O xilógrafo José Lourenço, juntamente com o irmão, Cícero Lourenço, há vários anos tem atuado na gráfica, principalmente com a confecção de xilogravuras. Eles apostam no fortalecimento da entidade. Nos últimos anos, um dos projetos que impulsionaram a produção de folhetos esteve ligado ao projeto Sesc Cordel. Hoje, há a esperança de reativar o espaço, sendo também fonte de pesquisa para estudiosos da área.

Os técnicos do Iphan reconhecem a importância da Lira e afirmaram que é possível, por meio do Ministério da Cultura, Iphan e editais ligados à área patrimonial, criar uma forma de garantir sustentabilidade para requalificar o espaço. Mas, antes disso, é necessário que seja pensada uma proposta de sustentabilidade, a exemplo de criação de um Pontão de Cultura, para salvaguarda do cordel.

O antropólogo do Iphan, Pedro Gustavo Morgado Clerot, destacou a possibilidade de se elaborar um plano de trabalho, para chegar ao acordo de cooperação entre o Iphan e a Urca. Para isso, foi proposto pelo reitor da instituição, professor Patrício Melo, uma nova reunião no mês de fevereiro para se debater questões relacionadas a esses procedimentos, por meio da Pró-Reitoria de Extensão.

Segundo as informações de Anna Cristina, serão debatidas questões como o processo de articulação, acervo, preservação, além da economia criativa, para possibilitar maior empoderamento aos xilógrafos da Lira. O reitor ainda destacou a importância do equipamento como patrimônio histórico do Cariri. 

Fonte: Diário do Nordeste
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