Arqueólogos descobrem sinais de doença em coração de 400 anos

Nas ruínas de um convento medieval em Rennes, na França, arqueólogos descobriram cinco urnas de chumbo em formato de coração, cada uma com um coração humano embalsamado. Elas foram enterradas há cerca de 400 anos, e agora, com técnicas modernas, os cientistas foram capazes de analisar esses órgãos, e descobriram sinais de doenças cardíacas bastante comuns nos dias de hoje.

— Cada coração era diferente e revelou surpresas — disse o antropólogo Rozenn Colleter, do Instituto Nacional Francês para Pesquisa Arqueológica Preventiva, em entrevista à Reuters. — Quatro desses corações estão muito bem preservados. É muito raro a arqueologia trabalhar com materiais orgânicos. As perspectivas são excitantes.

Um dos órgãos parecia saudável, sem sinais de doenças, mas outros três apresentavam indicações claras de aterosclerose, doença caracterizada pela formação de placas na parede dos vasos sanguíneos que irrigam o coração. O quinto estava deteriorado, sem condições de ser analisado.

— Apenas um coração pertencia a uma mulher, e estava totalmente degradado — disse a radiologista Fatima-Zohra Mokrane, do Hospital Universitário de Toulouse.

Um dos corações pertencia a um nobre, identificado por uma inscrição na urna como Toussaint Perrien, cavaleiro de Brefeillac, morto em 1649. Seu coração foi removido após sua morte e depois enterrado com sua esposa, Louise de Quengo, senhora de Brefeillac, morta em 1656. Seu corpo foi encontrado bem preservado em um caixão, ainda vestindo uma capa, vestido de lã, gorro e sapatos de couro.

A mais antiga das urnas é datada de 1584, e a mais recente, em 1655. Fatima-Zohra destaca a importância da descoberta para a medicina, pois comprova que pessoas já sofriam de aterosclerose há centenas de anos.

— Aterosclerose não é uma patologia recente, porque foi encontrada em diferentes corações estudados — disse Fatima-Zohra.

O convento em Rennes foi construído em 1369, e se tornou importante ponto de peregrinação e cemitério entre os séculos XV e XVII. As escavações foram realizadas entre 2011 e 2013, e localizaram cerca de 800 túmulos.

Fonte: EXTRA

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