Ação humana danifica o Geossítio Riacho do Meio

Com altitude que varia entre 450 e 900 metros, o Geossítio Riacho do Meio está localizado no município de Barbalha, entre duas unidades de conservação. No local, é encontrada a espécie do Soldadinho do Araripe, ave endêmica do Cariri incluída na lista dos animais da fauna cearense ameaçados de extinção global. Segundo denúncias, é frequente encontrar grupos de pessoas que, sem autorização ou acompanhamento de guias, vão ao local e comprometem, através de suas ações, a fauna e a flora local.

De acordo com Milene Gaiotti, estudante de doutorado que pesquisa a reprodução e o sistema de acasalamento do Soldadinho do Araripe, o fato de não haver a presença de fiscal ambiental no Geossítio é motivo que facilita a visitação imprópria. Como afirmou a doutoranda, é comum encontrar fogueiras próximas às nascentes e aos ninhos do Soldadinho, assim como pessoas bebendo, fumando, ouvindo som alto e, até mesmo, fazendo sexo. Ela já viu, inclusive, gente saindo com madeira cortada ilegalmente lá de dentro.

“A gente tem pelo menos oito territórios reprodutivos dentro do parque. O que é muito para um bicho criticamente ameaçado - e era para ter mais. Muitas fêmeas abandonam os ninhos por causa do movimento. O que acontece é que tudo afeta diretamente a reprodução e a sobrevivência dos adultos e filhotes”, explica. A indignação é compartilhada por Nilton Alves, guia de turismo regional. Conforme destacou, as atuais circunstâncias geram medo nos visitantes e comprometem o turismo local.

Conforme explicou Nivaldo Soares, secretário executivo do Geopark Araripe, a instituição não possui papel de fiscalização e não é responsável pela manutenção direta dos espaços nos geossítios, que são unidades de conservação que podem estar presentes tanto em áreas públicas como em particulares. No caso do Riacho do Meio, a área pertence à Prefeitura Municipal de Barbalha.

Em casos de denúncia, a Polícia Ambiental vai ao local e averigua o espaço. Por conta do baixo número de contingente que abrange toda região, muitas vezes, é necessário que ocorra atendimento prioritário. Em uma das ocorrências no Riacho do Meio, há duas semanas, cerca de 15 pessoas foram retiradas por estarem indevidamente no local.

Segundo Marcos Maciel, secretário adjunto da Secretaria de Meio Ambiente de Barbalha, o problema neste geossítío é antigo. Como explicou, o Parque foi criado nos anos 2000 para ser um balneário público, e, seis anos depois, com a criação do Geopark Araripe, o local fora reconhecido como um dos geossítios existentes no Cariri. Hoje, qualquer atividade feita no Riacho do Meio necessita da autorização da Secretaria, fato este que é descumprido rotineiramente.

Graças à falta de verba, como garante o secretário adjunto, não é possível a contratação de fiscais 24h no local. A pretensão é que, já nos próximos meses, mudanças sejam iniciadas para coibir situações como as que vêm ocorrendo. Entre as medidas que buscam tais melhorias, está a efetivação dos planos do Projeto de Gestão Participativa, que abrange entidades ligadas à proteção ambiental, e a implantação, por meio de parcerias, de um posto de fiscalização da Polícia Ambiental no próprio Geossítio.

Fonte: Jornal do Cariri
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